Investimento de meio milhão de euros na renovação da frota – Grupo Inforphone

Posted on: Maio 24, 2018, by :

Otimização constante de processos

 

Com um investimento de meio milhão de euros na renovação da frota, o Grupo Inforphone aposta numa otimização dos seus recursos, onde os veículos elétricos jogam um papel decisivo, não esquecendo também a escolha de furgões movidos a gás natural para o desenvolvimento da sua atividade

Texto: David Espanca

Fotos: José Bispo

 

O Grupo Inforphone foi criado em 2011 para atuar no campo das Telecomunicações, Informática, Redes, Áudio e Vídeo, sendo constituído por quatro empresas: a Inforphone, que é a empresa mãe do grupo, a Wavelan, que trabalha a gestão do produto, a Galactipixel e a Inphtech, uma marca própria de portáteis, produzida à imagem do cliente.

A Inforphone detém todo o conhecimento a nível de engenharia e construção, laborando na área de telecomunicações, nomeadamente com os operadores móveis, para os quais desenvolve e implementa projetos a nível ‘indoor’. Neste caso concreto, o Eng. Tiago Ramos, chief executive officer (CEO), explica que “atualmente somos parceiros da NOS. No passado, tivemos um contrato com a MEO, que foi interrompido após aquisição da operadora por parte do grupo Altice”.

A Wavelan foi criada para que o grupo pudesse garantir aos seus clientes projetos de chave na mão totalmente otimizados, evitando desta forma margens sobrepostas, assim como a necessidade de aquisição de produto externamente. O interlocutor refere que “conseguimos fazer toda a elaboração do produto ou do serviço internamente. Garantimos também o fornecimento das nossas marcas diretamente ao mercado de segunda linha, concorrentes ou não da Inforphone”.

Outra área de atividade importante é a marca própria de computadores Inphtech, um projeto que existe desde o início do grupo, no entanto só foi registada em 2013. Os ‘laptops’ são feitos à sua medida e imagem, produzindo também ‘desktops’, dentro dos mesmos moldes. A Inphtech foi até há pouco tempo o parceiro tecnológico oficial do Sporting Clube de Portugal, desvinculando agora o contrato que os ligava até 2019, face ao rumo dos últimos acontecimentos do referido clube desportivo.

O grupo no âmbito das telecomunicações, oferecem a comercialização, distribuição, engenharia e implementação para as áreas de radiofrequência, fibra ótica, coaxiais, redes, áudio e vídeo. O Grupo faturou 3,5 milhões de euros em 2017 e, no final deste ano, as previsões apontam para um volume de vendas na ordem dos cinco milhões de euros.

 

Optar por viaturas elétricas

Para a prossecução do seu negócio, que implica deslocações constantes de cerca de 2/3 dos seus colaboradores, pelo país inteiro e regiões autónomas, por forma a satisfazerem as necessidades dos seus clientes, torna-se necessário possuir uma frota automóvel considerável, que neste momento é de 23 veículos. “Somos clientes de viaturas elétricas desde que esse conceito arrancou em Portugal”, adianta o Eng. Tiago Ramos.

E explica por quê: “Uma das coisas que nos diferencia é a constante otimização de custos, mas não à custa dos salários dos colaboradores. Daí que a otimização de processos é bastante importante, pois as deslocações têm um grande impacto financeiro na nossa atividade”.

Foi com base nessa premissa que optaram por veículos elétricos, em 2014, numa altura em que havia o sistema de aluguer de baterias. As vantagens eram evidentes: isenção do imposto do selo, abate na totalidade do IVA, na eletricidade, isenção de estacionamento em alguns parques em Lisboa ou até mesmo a tributação, já que um carro de 5 lugares era tributado da mesma forma que um veículo comercial.

Mas a grande vantagem para o CEO da Inforphone é mesmo “a nível do preço do combustível”. Relembra que “na altura adquirimos quatro Renault ZOE e dois Nissan Leaf e, no ano seguinte, efetuamos um avultado investimento na colocação de painéis solares, por forma a poder carregar os veículos e a reduzir ainda mais os custos de abastecimento das viaturas”.

Ou seja, prossegue o responsável, “a otimização de custos não passava apenas pela substituição do gasóleo por eletricidade, mas também por reduzir o consumo da própria energia através dos painéis solares”.

Por outro lado, para tornar a gestão do grupo ainda mais eficiente, no passado ano, foi efetuado um investimento ao nível de ‘software’, na criação de uma plataforma de gestão e faturação Navision, que foi configurado à imagem das necessidades da empresa, através do seu parceiro Aboutnav. O Eng. Tiago Ramos avança com os pormenores que estão subjacentes: “Consegue, em dois minutos, dar as margens operacionais exatas daquilo que se está a produzir ‘on-time’, permitindo obter os custos reais de consumos das viaturas, os quilómetros e as rotas em tempo real, o que nos leva a tomar decisões rápidas para reduzir ao máximo os custos a realizar, tirando daí o maior proveito por exemplo.”

O “software” fornece aos gestores de projeto toda a informação disponível, com margens reais fidedignas. Por exemplo, prossegue o entrevistado, “ao nível da gestão comercial, quando se tem de importar determinado tipo de material, podemos inserir os custos totais da operação (administrativos, transferências bancárias, alfândegas, etc.) e depois o programa apresenta-nos a margem real de faturação”.

 

Renovação estratégica da frota

Neste momento, o grupo acabou de renovar a sua frota e dada a experiência que tem com veículos elétricos, “optámos por adquirir uma marca em função do seu consumo menor, fazendo o mesmo número de quilómetros, em detrimento do que normalmente é tido como o mais importante, a capacidade da bateria”, justifica o Eng. Tiago Ramos.

E a escolha recaiu no Hyundai Ioniq, tal como explica o entrevistado: “Os valores de aquisição foram negociados e, depois de andarmos cerca de três meses com os carros, foi a melhor escolha que podíamos ter feito. Um Renault ZOE consome entre 16 a 17 KW, enquanto o Hyundai para fazer o mesmo trajeto gasta 12,5 KW. É uma redução de 4 a 5 KW por cada 100 quilómetros por cada veículo, o equivalente a uma poupança de cerca de 6 euros, a cada 100 quilómetros, para além de podermos ter em funcionamento menos painéis solares a carregar um maior número de carros, porque se consome menos também não é necessário estar a carregar tanto.”

No que diz respeito à bateria, apesar de ser 28 KW, quando comparada com a de 40 KW do Renault ZOE, o Hyundai acaba por ter uma autonomia real idêntica. O interlocutor adianta que “para fazer os 240 a 250 quilómetros, gasta menos 12 KW, logo a escolha é óbvia. Também o coeficiente aerodinâmico do Ioniq era o melhor em relação à concorrência”.

Hoje, se o Eng. Tiago Ramos tivesse de renovar a frota, “faria exatamente da mesma forma. Não há dúvidas de que o carro a nível de conforto, equipamento, de imagem perante o cliente e consumo é melhor”.

Para além dos 10 Hyndai Ioniq, agora adquiridos, a restante frota elétrica é constituída por um Nissan Leaf e um Renault ZOE 40. Para uso profissional, o CEO da Inforphone utiliza um veículo híbrido plug-in, o Porsche Panamera E-hybrid Sport Turismo.

Depois, na área de projeto e construção, o grupo está também a renovar a frota e já adquiriu nove carrinhas Volkswagen Caddy longas a gás natural. A opção por estes veículos a GNC ficou a dever-se à sua maior autonomia, já que com o depósito cheio conseguem ir ao Algarve e voltar, por exemplo. Para tal, estabeleceram um protocolo com a DouroGás para abastecimento nos seus postos.

Quanto à escolha desta carrinha, Tiago Ramos esclarece que “apesar de ser cerca de cinco mil euros mais cara, em relação a outras marcas, pelos nossos cálculos o diferencial de custo é recuperado quando ela fizer entre 110 a 120 mil quilómetros. A partir daí começa a haver uma poupança bastante significativa. Por exemplo, quando atingir cerca de 230 mil quilómetros, já tivemos um lucro de cinco mil euros em cada viatura, o que perfaz um total de 45 mil euros”.

A frota fica completa com um furgão Iveco a gasóleo, para a área da logística, pois implica o fornecimento de equipamento aos clientes, muitas vezes de grande porte, como é o caso de bastidores com dois metros de altura.

 

Novas instalações a caminho

No grupo Inforphone, toda a frota é de aquisição direta: “Através da Leaseplan fizémos um ‘renting’ de aquisição obrigatória ao final de quatro anos. Como realizamos muitos quilómetros não nos compensa os contratos normais de ‘renting’. Neste caso, está incluída toda a manutenção do veículo, troca de pneus e seguro, só que ficou definido desde o início a aquisição obrigatória no final de quatro anos, apenas temos de pagar o prémio estabelecido”, adianta Tiago Ramos.

Em média, um veículo no grupo tem um tempo de vida útil entre os 6 a 8 anos e, com certos cuidados e uma manutenção regular, fazem entre os 400 a 600 mil quilómetros. Segundo o fundador do grupo, “a expansão da frota estará sempre dependente da celebração de novos contratos, mas é ponto assente que a haver reforço, será com as mesmas marcas e gamas”.

Entretanto, o grupo está a preparar a mudança de instalações, a ocorrer em julho, que ficarão perto do Fórum Sintra. Os motivos prendem-se com o já pouco espaço de armazenagem atualmente existente, cerca de 500 m2, daí que adquiram, com capitais próprios, um edifício com uma área total de 4.500 m2, dos quais 1.200 m2 serão para armazém.

A nível estratégico, o Eng. Tiago Ramos afirma que assim “englobamos as empresas todas do grupo no mesmo espaço, dividindo os custos globais, e criando uma estrutura global ao Grupo. Trata-se de um investimento de 1,3 milhões de euros”.

Atualmente, estão envolvidos num projeto de engenharia de grande dimensão a nível solução ‘wi-fi’, estando em trial neste momento, projeto esse da qual desenvolvemos a solução de raiz sem que exista concorrência com a mesma arquitetura, fugindo ao tradicional sistema de Ap’s, conseguindo ter um sistema hibrido de antenas e cabo radiante, diminuindo assim o número de equipamentos ativos, que por sua vez menor risco de avarias, etc… projeto esse que não podemos revelar, visto estar ainda em negociações. O objetivo desta solução passa por ter, nas palavras do fundador do grupo, “os operacionais a comandar remotamente abaixo do nível do solo as máquinas, garantia essa já conseguida, ficando a faltar definir ainda alguns aspetos do projeto, nomeadamente qual a melhor solução a implementar. Estamos a falar de um projeto de alguns milhões de euros que poderá ser replicado a nível mundial pela companhia”.

Tiago Ramos – CEO do Grupo Inforphone